quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pequenas Igrejas, Grandes Negócios!!!!



   No Brasil, a Constituição garante liberdade de religião.Estados totalitários costumam proibir completamente instituições e práticas religiosas. Estados teocráticos oprimem todas as demais religiões , exceto a oficial. Nosso país , sob este aspecto, se insere no rol das democracias, onde além da liberdade de culto ficou estabelecido a separação entre a Igreja e o Estado. A história do Brasil passa distante de conflitos religiosos nos quais os interesses do Estado e da Igreja oficial se confundem , resultando em perseguições e mortes, tal como acontece atualmente em muitos países islâmicos. O totalitarismo de esquerda, se apoiando numa tese de Marx segundo a qual ?a religião é o ópio do povo?, proibiu ? como ainda acontece na Coréia do Norte e em Cuba ? quaisquer manifestações religiosas, perseguindo e reprimindo com violência os recalcitrantes. O culto a Deus deu lugar ao culto ao Estado, e os santos foram substituídos pelos heróis da pátria e líderes políticos.
Por isso, a defesa intransigente da liberdade religiosa antes de tudo representa a defesa da própria democracia.

Isto não significa que as instituições religiosas devam permanecer isentas de críticas quando extrapolam o seu papel religioso e assumem contornos políticos, econômicos ou criminosos. É o que vem ocorrendo no Brasil com um grupo significativo de denominações religiosas, a maioria delas seitas evangélicas pentecostais, que se aproveitam da fé, da carência emocional e da ingenuidade das pessoas e passam a determinadas práticas, digamos, pouco cristãs.

Ancorados numa leitura talvez um tanto apressada de Martinho Lutero(1483-1546) e João Calvino( 1509-1564), iniciadores do protestantismo, a partir da década de 70 as seitas pentecostais cresceram e se multiplicaram numa velocidade espantosa, arrebanhando milhões de pessoas que não encontravam mais na religião Católica a satisfação para as suas carências físicas , materiais e espirituais.Em Martinho Lutero e na sua defesa da ?livre interpretação O fato é que denominações religiosas como a Igreja Universal, Igreja Renascer em Cristo, Igreja Internacional da Graça de Deus e Igreja do Evangelho Quadrangular, muito além de instituições religiosas, se transformaram, em tempo recorde, em potências empresariais, que em nada ficam a dever a muitas empresas de diversos ramos da produção,comércio e serviços .

Os seus líderes religiosos ? Edir Macedo , Estevam e Sonia Hernandes, RR Soares e Mario de Oliveira - demonstram um senso incomum para fazer crescer e multiplicar os seus negócios , principalmente no campo da mídia eletrônica e impressa, e não se preocupam em esconder os evidentes sinais de riqueza pessoal. A fonte primária de toda esta riqueza está, sem dúvida, nos cultos promovidos por estas seitas, nos quais não faltam muita emoção, falsos milagres e, sobretudo, farta arrecadação dos recursos destinados à ?obra do Senhor?, que, pelo que se conclui,tem se manifestado muito mais no bolso dos pastores do que na vida de suas ovelhas fiéis. A ousadia

e a desfaçatez com que agem estes pretensos líderes espirituais já é voz corrente. Alguns deles já estiveram, ou ainda estão, sobre a mira da Justiça, sob acusações que vão desde abuso do poder econômico, lavagem de dinheiro e transferência ilegal de recursos para o exterior, e ,pasmem!, até mesmo tentativa de assassinato, como é o caso do deputado Mario de Oliveira, o líder da Igreja do Evangelho Quadrangular.

No Brasil, em nome da separação entre a Igreja e o Estado, as instituições religiosas estão isentas de pagamento de impostos. Talvez esteja aí a razão mais forte para o tão rápido crescimento destas instituições e o motivo para que cometam tantos desvios de suas funções originais. Escondendo-se sob o manto protetor e insuspeito da religião, desenvolvem uma série de atividades lucrativas, algumas legais e muitas ilegais.E ainda livres da carga representada pelos impostos .É muitíssimo mais fácil abrir uma Igreja do que uma empresa qualquer.Mas, tocar neste vespeiro é perigoso e contraproducente.

Primeiro porque qualquer tentativa de disciplinar as atividades destas igrejas esbarra no preconceito de que se trataria de cerceamento da liberdade religiosa. Se por um lado temos o conhecimento de que a maioria dos líderes e pastores é movida por uma convicção nada cristã, por outro sabemos que a maioria do rebanho é movida por uma autêntica fé. Segundo porque estas instituições ultrapassaram as fronteiras puramente religiosas, e até empresariais, e penetraram com muita força também no campo político.

Os evangélicos se fazem cada vez mais atuantes no cenário político, financiando campanhas, lançando candidatos, elegendo governantes e parlamentares, e controlando partidos políticos. O rebanho religioso que eles com habilidade manipulam nos templos, transformou numa significativa clientela eleitoral..Qualquer interferência nas atividades destas seitas passaria a ser considerada , além de uma atitude de perseguição religiosa, também uma perseguição política.

Portanto, para se atuar sobre estas instituições e sobre estes líderes religiosos é preciso que se tome o cuidado de que fique bem demarcado os dois campos em que eles têm atuado : o puramente religioso e o dos negócios e da política. Assim como é importante que se defenda com todas as armas a preservação da completa liberdade de religião, também é fundamental que se denuncie os desvios, os abusos e os crimes que em proveito desta liberdade, são praticados por estas instituições e por membros delas.
Conclusão: Se milhões de pessoas que se autodenominam ?crentes? , por diversas razões se deixam manipular em suas crenças, carências,e até em sua ganância , por espertalhões movidos pelos piores propósitos, o problema é delas. Se estes charlatões fogem da finalidade original a que se propuseram estas organizações, e passam a cometer ilegalidades e crimes no campo econômico, político e pessoal, isto passa a ser um problema de toda a sociedade. E, por isto, devem ser exemplarmente punidos Sem dó nem piedade!!!!

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